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PREFÁCIO

Se atendermos à simples definição de “pensar”, por mais elementar/rudimentar que possa parecer tal abordagem, veremos que, na realidade, o conceito é tão vago e tão vasto como a própria “realidade” nele designada. Vejamos: “Pensar é… crer, considerar, julgar, acreditar, cismar, cogitar, conjecturar, aspirar, cuidar, avaliar, medi­tar, ponderar, imaginar, pesar, raciocinar”, entre tantas outras palavras que podería­mos acrescentar. Resumindo: pensar é formar ideias.

Quando recebi o convite do autor para prefaciar o seu primeiro livro de reflexões, fiquei deveras intimidado com a proposta desafiadora de tratar uma obra de refle­xões. Ironicamente, vivemos numa era onde pouco espaço há para a verdadeira re­flexão. Apesar de todos poderem fazê-lo, poucos o aproveitam. Resolvi por isso não desperdiçar tal oportunidade.

Quantas vezes nós, que nos presumimos pensadores e seres racionais, damos azo à pergunta quase de tom existencial, “Pensar, faz bem?”? Dou por mim muitas vezes a considerar que aqueles que pensam de mais acabam por se deparar com a frieza e a crueldade do mundo. O seu equilíbrio emocional é posto em causa, tornando- -se pessoas instáveis, problemáticas e assustadas. Este poderá constituir o principal argumento dos que preferem abdicar da experiência da reflexão. Defendem antes a simplicidade do seu pequeno mundo, fazendo do carpe diem o seu lema. Por mais sedutora que seja tal opção de vida, à semelhança do autor, perfilho da ideia de que pensar faz bem. Ainda que o “homem pensante” seja passível de se tornar num sofre­dor, creio ser este o verdadeiro caminho que promove a vida e a esperança.

Mais do que um livro de pensamentos, esta é uma obra portadora de esperança.
Detentor de uma invulgar capacidade de reflexão, o autor desenvolveu, com base na sua experiência e estudo, uma visão panorâmica da condição humana e do mun­do. Não pretendendo contudo obter uma solução para todas as questões, como ele próprio afirma, Ezequiel Quintino cedo encontrou a resposta para a pergunta fun­damental. De onde vimos e para onde vamos? A cosmovisão adoptada pelo autor e reiteradas vezes evocada nos seus textos, transmite-nos alguma confiança, por ser­mos guiados pelo pensamento de alguém que não escolheu o caminho fácil ou mais seguro, mas que antes optou pelo caminho certo.

A arte deste livro ultrapassa a excelência da sua escrita assim como a eloquente voz do seu autor/narrador. Esta obra, apesar de despretensiosa, vai além da ambição que o seu título denuncia.
Ezequiel Quintino, além de nos incentivar a pensar, fornece-nos a chave que (nos) move à acção.
Sendo esta substancialmente uma obra de reflexão, cabe-nos agora a nós, preza­dos leitores, tomar a iniciativa de agir.

Ezequiel Duarte
Director de Programas RCS